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"Naquele
tempo, disse Jesus a seus discípulos: Um homem tinha dois
filhos, e o mais jovem disse a seu pai "Pai, dá-me a
parte da herança que me cabe". Ele repartiu entre eles
os seus bens.
Passados
alguns dias, o filho mais novo, reunindo tudo, partiu para
uma terra distante....
Conhecemos
esta parábola, não? Quantas vezes a ouvimos sem prestar atenção
suficiente para descobrir a mensagem principal. Mais do que
falar sobre os filhos - um, ingrato, que desperdiça os bens
que seu Pai lhe dá (Nossa liberdade, nossa vontade, nossa
alma em graça que nos torna seus filhos), e outro, egoísta,
que preocupa-se consigo mesmo, acima do outro, achando-se
mais merecedor das atenções do Pai por não ter falhado, mas
que não sabe amar - Jesus queria nos falar sobre o Pai. Toda
a parábola gira em torno do Pai. O comportamento dos filhos
serve para mostrar os traços deste Pai.
Vamos
pensar no final da parábola...
O
filho pródigo distingue ao longe a fazenda paterna e os campos
que a cercam. Treme e diminui o passo; seu coração bate com
força. Uma angústia lhe oprime o peito. E se for expulso?
No fundo, nada seria mais justo. É só agora que começa a entrever
a malícia dos seus pecados. Sente na carne a dureza com que
tratou seu Pai. Será capaz sequer de suportar-lhe o olhar?
Pouco importa que lhe desperte a cólera, o que importa é que
lhe confesse a sua falta. O dia declina e ele avança lentamente.
Um
outro coração, porém, bate mais fortemente que o seu: o coração
do Pai, que nunca se conformou com a partida do filho. Cada
tarde, depois do dia fatal, ele sobe até o terraço, de onde
a vista alcança as adjacências. Cada tarde ele perscruta as
estradas circunvizinhas, para depois retornar a seus aposentos
com o coração um pouco mais doído. E no dia seguinte volta
a subir. Quem sabe seu filho regressará hoje?!
Que
teria acontecido se, naquela tarde, cansado de esperar, o
Pai não tivesse mais ido ao terraço? Ou se o filho não tivesse
encontrado senão um criado que o tivesse enxotado? Ou se tivesse
topado com o irmão mais velho?!
Naquela
tarde foi diferente: Quando ainda estava longe, seu Pai o
viu e, compadecido, correu-lhe ao encontro e se lançou ao
seu pescoço e o cobriu de beijos.
Que
faz esse Pai com a sua dignidade? Que faz com o prestígio
da autoridade paterna?
E
nós? O que fazemos com o nosso amor?
O
Pai tem pressa em recuperar o objeto de sua ternura. O filho
nem sequer tem tempo de pronunciar a frase ensaiada: "Pai
pequei contra o céu e contra ti. Já não sou digno de ser chamado
teu filho." O pai toma sua cabeça entre as mãos e cobre-o
de beijos.
Já
lhe ocorreu pensar que nós, ao reconverter-nos pedindo perdão
numa boa confissão individual, fazemos a alegria de Deus?
É maior a alegria por um pecador que se converte do que por
noventa e nove justos que não precisam de conversão. Se Jesus
não o tivesse dito tão claramente, poderia nos ocorrer que,
antes que Deus nos dê a sua alegria, nós podemos dá-la a Ele?
Não
descobrimos a gravidade de nossos pecados quando medimos a
nossa leviandade ou desleixo, ou tentamos identificar um traço
de pesar em nossa consciência. Só descobrimos quando avaliamos,
pelas palavras de seu Filho, essa sua alegria pela nossa volta
( e também quando meditamos no sacrifício de Jesus, com a
certeza de que o fez por cada um de nossos pecados individuais,
Ele que, como Deus, tinha a ciência e a visão de cada um de
nós que ainda viríamos ao mundo). Não se trata simplesmente
de alegria, é algo maior! É júbilo, regozijo!
Pense
no carinho com que Jesus descreve as atitudes deste pai da
parábola, que não é outro senão seu Pai! O nosso pecado é
tão grave que causamos luto à Deus! Nós O privamos eternamente
de um de seus filhos! Isto nos leva à outra parábola: a da
ovelha desgarrada, onde, mais uma vez, Jesus mostra seu apreço
por nossas almas.
O
filho já estava arrependido quando lembrou que na casa de
seu Pai ele não tinha que comer a comida dos porcos. Mas,
num primeiro momento, faltava-lhe o amor para decidir voltar,
e de joelhos se humilhar e pedir perdão. Se o filho tivesse
pensado na alegria de seu Pai, ao invés de pensar em sua reprovação,
não teria se demorado tanto a se decidir.
Precisamos
enraizar em nós, a certeza de que, antes que nós O amássemos
Ele já nos amava quando nos criou. Ele nos ama tanto que,
como um Pai que perdeu seu filho amado, está todo dia à nossa
espera, sofrendo por nos ter perdido. Pense no quanto Ele
lhe deu até hoje: Fé, família, bem estar material, saúde...
Pense só em quantas vezes Ele cruzou o seu caminho e mudou
a trajetória de sua vida! Como pode negar a Deus o que lhe
é devido (seu amor e gratidão)?! O orgulho é algo que nos
mata, se nos impede de nos humilharmos diante de Deus, para
pedir perdão, ou se nos faz achar que não temos pecados, ou
se nos faz pensar que podemos perdoá-los particularmente com
Deus, sem a absolvição em uma confissão. Este orgulho nos
afasta de Deus terminando por minar a nossa fé, criando uma
crosta em nossa consciência que nos faz esquecer dele.
Deus
o está esperando, porque, tenha certeza, você está se afastado
dele. E para voltar a Ele é preciso que, pensando em seu amor,
decida ser humilde, com a simplicidade de uma criança que,
com um sorriso aberto, vem se mostrar suja a seu pai, pedindo
que a limpe ( é assim que devemos ir a confissão). E esta
decisão não se consegue sozinho. É preciso pedir que Ele o
ajude a quebrar a crosta.
Autor: Maurício
Uzêda
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