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Sabemos
que Nosso Senhor Jesus Cristo está realmente presente, em
Corpo, Sangue, Alma e Divindade, no Santíssimo Sacramento,
sob a aparência de pão e vinho. Sabemos disso porque a Igreja
nos ensina, e porque a Bíblia também o diz.
Vejamos:
No capítulo
6 do Evangelho de São João, vemos Nosso Senhor Jesus Cristo
fazendo uma série de coisas preparatórias para o Seu discurso
sobre a Eucaristia: primeiro Ele faz o milagre da multiplicação
dos pães (Jo 6,5-13), mostrando assim Sua capacidade de modificar
miraculosamente as coisas criadas, mais exatamente o pão.
Em seguida, Ele caminha por sobre as água (Jo 6,19-20), mostrando
Seu controle sobre o Seu próprio Corpo. Estando então demonstradas
estas Suas capacidades, Ele faz o Seu discurso eucarístico
(Jo 6,27-59).
Ele
inicia este discurso afirmando que devemos buscar não a comida
que perece (isto é, os alimentos do dia a dia), mas aquela
que dura até a Vida Eterna, que Ele nos dará (Jo 6,27). Em
seguida Ele trata do maná, prefiguração da Eucaristia, e afirma
com todas as letras que o maná não era o verdadeiro Pão dos
Céus; o verdadeiro Pão dos Céus é Ele (Jo 6,31-40).
Os judeus,
porém, não acreditaram, e começaram a murmurar contra Ele.
Ele então reafirma ser Sua Carne o verdadeiro pão dos Céus
(Jo 6,41-51). Os judeus, então, ficam completamente escandalizados,
e perguntam como Ele poderia dar a Sua Carne a comer. Note-se
que o verbo que é usado na pergunta deles, no Evangelho segundo
S. João, é o verbo "phagein" (comer, deglutir).
Nosso Senhor então responde reafirmando o que já dissera,
usando porém palavras ainda mais fortes. Ele diz que quem
não comer a Sua Carne e não beber o Seu Sangue não terá a
vida eterna, e afirma que Sua Carne é verdadeiramente uma
comida e Seu Sangue verdadeiramente uma bebida (Jo 6, 52-59).
O verbo que é usado nesta resposta não é mais o verbo "phagein",
mas o verbo "trogô", que significa mastigar, dilacerar
com os dentes. Ele está mostrando que não é uma parábola,
não é um simbolismo. É, como Ele diz, "verdadeiramente
uma comida" e "verdadeiramente uma bebida"(Jo
6,55), que deve ser mastigada, dilacerada com os dentes.
Muitos
daqueles que O seguiam, então, não suportaram as palavras
de Nosso Senhor. Ele, porém, não retirou o que dissera. Afirmou,
ao contrário, que é o "espírito" (as palavras que
dissera - Jo 6,60-65) que vivifica, não a "carne"
(as opiniões das pessoas apegadas ao mundo). Muitos dos que
antes O seguiam, então, se retiraram e não mais andaram com
Ele, por não suportarem Seu ensinamento sobre a Eucaristia.
Note-se, como curiosidade, que o versículo que conta isso
(Jo 6,66) é o único versículo "666" de todo o Novo
Testamento...
Os Apóstolos
também receberam então de Nosso Senhor um ultimato: ou aceitavam
Suas palavras ou iam embora também eles. São Pedro, o primeiro
Papa, falando em nome de toda a Igreja, disse então que não
se afastariam d'Ele.
O Evangelho
segundo S. João, onde lemos este belo e forte discurso do
Senhor, é o único Evangelho que não traz a narrativa da instituição
da Eucaristia. Por que isso acontece? Porque S. João o escreveu
muito depois dos outros Evangelhos (por volta do ano 90 d.C.);
a narração da instituição da Eucaristia já era conhecida por
todos os cristãos. Era, porém, necessário reafirmar a verdadeira
Doutrina ensinada por Cristo acerca de Sua Carne e Seu Sangue,
pois havia já naquele tempo hereges que negavam o valor da
Eucaristia. A estes respondia S. João.
Nas
narrativas da instituição da Eucaristia (Mt 26,26s; Mc 14,22s;
Lc 22,19s; I Cor 11,23s) vemos que Nosso Senhor disse que
o Pão e o Vinho são Seu Corpo e Seu Sangue ("Isto é Meu
Corpo; Isto é o cálice do Meu Sangue). Teria sido perfeitamente
possível, dada a riqueza da sofisticada língua grega em que
foram escritos os Evangelhos, escrever "isto significa",
ou "isto representa". Não é porém isto o que está
escrito. Está escrito que "isto é" o Corpo e o Sangue
de Cristo. Esta é também, evidentemente, a Fé pregada por
São Paulo, quando escreve aos Coríntios que "todo aquele
que comer o pão ou beber do cálice do Senhor indignamente,
tornar-se culpado do corpo e do sangue do Senhor... Pois quem
come e bebe sem fazer distinção de tal corpo, come e bebe
a própria condenação” ( I Cor 11,27-29 ).
É evidente
que o Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo é um acontecimento
único, que não precisa jamais ser repetido. Na Santa Missa,
não há repetição do Sacrifício; Nosso Senhor não é imolado
de novo. A Sua imolação única, porém, passa a estar novamente
presente, por graça de Deus, para que possamos, nós também,
receber seus frutos quase dois mil anos depois. Note-se que
quando Deus mandou sacrificar o Cordeiro da Páscoa no Egito
e marcar as portas com seu sangue, Ele também mandou comer
da carne do Cordeiro (Ex 12). Ora, o Cordeiro era figura de
Cristo, que é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo
(Jo 1,29). Não basta o Sacrifício do Cordeiro; temos também
que comer Sua Carne.
Louvado
seja sempre Nosso Senhor Jesus Cristo!
Autor: Carlos Ramalhete
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