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Pelo pecado o homem se perdera.
Apesar
dos dons com que Deus presenteou a natureza humana de Adão
e Eva, eles preferiram desobedecer e tentar a aventura de
serem donos da verdade e da razão, auto-suficientes para decidirem
sobre o que é certo e o que é errado, em outras palavras,
serem senhores da moral sem terem recebido tal poder (soa
como algo que conhecemos?), serem como Deuses. Pelo pecado,
perderam sua condição de filhos de Deus, perderam a vida da
Graça em suas almas, a amizade com Deus. Deus, ofendido, poderia
ter abandonado a humanidade à triste sorte da condenação.
E seria mera justiça.
Deus
decidiu, entretanto, salvar o homem.
De que
modo?
Os atos
de sacrifício que pediu aos homens do povo escolhido não tinham
valor algum por si mesmos além de manter neles a noção de
seu dever de louvar o Criador. Como conseguir que sacrifícios
de cabras, cordeiros e novilhos tivessem valor suficiente
para pagar nossa dívida?
1A Infinita
Majestade, em sua maravilhosa sabedoria, decretou uma medida
de sublime liberalidade e de bondade, a qual permitiria, ao
mesmo tempo, salvar a humanidade, salvaguardar os direitos
de justiça, e obter, além disso, uma glorificação perfeita
da parte de sua criatura, que deste modo atingiria plenamente
o seu verdadeiro fim. Deus decretou que o Filho, a segunda
pessoa da Santíssima Trindade, se tornasse Sacerdote, isto
é, que o Verbo, Filho de Deus, se abaixasse à condição humana,
para executar, como Homem, representante de toda a sua raça,
em honra da Santíssima Trindade, um ato sacerdotal através
do qual Deus seria louvado, glorificado e engrandecido, e
a humanidade pagaria sua dívida pela ofensa infinita. Convinha
que fosse Deus e convinha que fosse homem. Somente este sacerdote
é capaz de oferecer a Deus um culto suficiente.
Mas
o que é ser Sacerdote?
É ser
encarregado por Deus de estabelecer o relacionamento - "religar"
- entre a criatura e o Criador, restabelecendo a intimidade
perdida. Sacerdote é, pois, a ponte colocada entre o Céu e
a terra.
2Quis Deus,
em sua sabedoria, que o ato essencial do sacerdócio de Cristo
fosse um sacrifício cruento (com derramamento de sangue).
Aconteceu no mesmo dia em que os judeus ofereciam o sacrifício
do cordeiro, lembrando sua libertação. Exigiu do Homem-Deus
a morte cruel da cruz. Ele, o Cordeiro de Deus.
3É tal o
alcance do Sacrifício da Cruz que, por si só e de uma só vez,
basta para atingir plenamente, e sem restrições, a sua finalidade.
Mas se este sacrifício basta para acumular de uma só vez os
tesouros da reparação de nossa condição de filhos, resta aplicar
esta riqueza (a vida da Graça, a vida de Deus em nossa alma)
no espaço e no tempo (através dos sacramentos).
4Jesus Sacerdote
não quis que sua grande imolação fosse para nós um fato histórico,
fadado a desaparecer pouco a pouco na memória dos homens.
Por isso quis que, ao longo dos séculos, se renovasse o seu
sacrifício tantas vezes quantas fosse preciso. Com o intuito
de perpetuar sua imolação e aplicar aos homens uma parte dos
méritos da salvação que nos ganhou, Cristo chama a si alguns
homens que o representarão sobre o altar, continuando a oferecer
a Deus o seu sacrifício perfeito.
Sim.
A perpetuação do sacrifício, do ato sacerdotal de Cristo,
é a Santa Missa. Muito mais do que simples reunião dos fiéis
para uma oração comum, muito mais que festa. A Missa não é,
definitivamente, a lembrança da Santa Ceia, mas, sim, o Calvário.
E é sim, também, momento de alegria, porque Cristo ressuscita.
Ë sim, momento de alegria, porque O recebemos em corpo e alma
na Eucaristia; Deus, a própria fonte da graça.
5O maior
"louco" que já houve e haverá é Ele. Ë possível
maior loucura do que entregar-se como Ele se entrega, e àqueles
a quem se entrega? Porque, na verdade, já teria sido loucura
ficar como um menino indefeso... Achou que era pouco: quis
aniquilar-se mais e dar-se mais. E se fez comida, fez-se Pão.
Divino Louco!
Como
é a nossa Missa? Como é que O oferecemos a Deus? Como é que
O recebemos? Como é que O tratamos? Porque O recebemos tão
friamente, sem fervor?. 6Pensaste alguma vez em
como te prepararias para receber o Senhor, se apenas se pudesse
comungar uma vez na vida?
Autor: Roberto
Jardim Cavalcante
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